Desde o início da novela global “Passione”, a personagem Stela, vivida por Maitê Proença, vem causando polêmica. Casada e mãe de três filhos, ela nunca hesitou em preencher o vazio existencial seduzindo belos garotões desconhecidos. Um deles, porém, não só a levou a se apaixonar, como ainda causou um enorme problema em sua vida: o italianinho Agnello (Daniel de Oliveira) acabou se envolvendo com sua filha, Lorena (Tammy di Calafiori).
A trama, ou melhor, a disputa que vai se acirrar entre as duas nos próximos capítulos tem levado muita a gente a discutir o relacionamento entre mãe e filha, que, desde que o mundo é mundo, costuma oscilar entre o amor e a raiva. Uma das razões é que a mãe reúne na mesma pessoa a ideia de proteção e controle. Em alguns momentos, a filha adora a segurança; em outros, sente a necessidade de correr riscos e escrever a própria história. Os conflitos, de modo geral, ocorrem quando a mãe encontra dificuldade em aceitar o crescimento da filha, permitir que ela faça suas próprias escolhas e assuma a responsabilidade por si própria. A relação entre mãe e filha atravessa diversas fases no decorrer da vida. Durante a infância é comum as meninas se identificarem com a mãe para construir as bases referenciais do seu funcionamento e depois se diferenciam para formar sua própria identidade. A imitação dos comportamentos maternos e a urgência em consultar a mãe para agir com segurança se modificam na adolescência, cedendo espaço para o desenvolvimento da autonomia. Nessa fase é comum a jovem filha manifestar comportamentos hostis e críticas mordazes à mãe, comportamentos que devem ser repreendidos e inibidos por meio de diálogos e atitudes efetivas. “O ser humano é um complexo de sentimentos, e por trás de nobres desejos da mãe, por exemplo, escondem-se os maléficos, os temores de que a filha irá superar a mãe em graça, beleza e sorte na vida. Também na obscuridade, a filha sente inveja dos poderes da mãe adulta e odeia ser dependente dela, ou teme não alcançar tantas conquistas quanto sua mãe.
Uma vez que, nem mãe nem filha entram em contato com estes sentimentos hostis, eles ficam contidos e reprimidos, mas algumas vezes eles podem vir à tona, explodindo com força total e causando muito estrago no relacionamento. Porém, assim como no conto de fadas da ‘Branca de Neve’, o desabrochar da filha é como um espelho no qual a mãe pode vislumbrar o seu próprio brochar. E na inconsciência a mãe culpa a filha pela perda de sua própria juventude. É por esse motivo que, na adolescência, costumam ocorrer muitos desencontros entre as mães e as suas filhas”, afirma a psicóloga Léa Michaan, de São Paulo.
Na idade adulta, deve prevalecer o respeito e o companheirismo, porém, se estas fases não foram vivenciadas e elaboradas adequadamente, o resultado pode se transformar em distanciamento ou, ainda pior, em rivalidade entre mãe e filha. Mãe versus filha.
Muita gente pensa que, quando mãe e filha se interessam pelo mesmo homem, já há um clima de disputa e competição entre as duas. Mas, segundo a psicóloga Léa Michaan, é preciso analisar a situação sob diversos aspectos. Por exemplo: este homem é mais próximo da mãe ou da filha? “Se for amigo da filha, por conta da idade e do grupo social, então muito provavelmente a mãe quer testar o próprio poder de sedução e medir forças com a filha. Tem necessidade de provar para si própria e para o mundo o quanto é bela, atraente e irresistível a ponto de atrair um jovem que poderia ser o namorado de sua filha. Neste caso, há uma competição mais por parte da mãe do que da filha.”, explica Léa. “Caso este homem for mais próximo da mãe em termos de idade e grupo social, então podemos pensar que esta filha deslocou o complexo edípico (paixão da filha pelo pai) para este homem, que é o atual amor de sua mãe. Pode haver também uma carência paterna, e a menina transferir tal carência para o atual namorado da mãe, desejando-o como homem”, completa.
Para a psicóloga cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira, de São Paulo, a mãe exerce um papel fundamental na formação da personalidade da filha. Ela transmite, além dos genes, crenças e valores que serão mantidos e elaborados ou deturpados e rejeitados, de acordo com a percepção e assimilação da filha. A rivalidade é resultado de sentimentos de insegurança e disputa de poder. “A mãe que não consegue se harmonizar com a passagem do tempo, aceitar o envelhecimento e desfrutar a beleza própria de cada fase da vida, permanece apegada aos mitos da beleza e juventude eternas e, tende a se rivalizar com a filha, em vez de apoiá-la e orientá-la”, destaca. Em geral, quando ambas se apaixonam pelo mesmo homem, é comum a mãe abrir mão do relacionamento. Segundo a especialista Mara Lúcia, mães maduras não se detêm em competições desleais, gostam de ser mulher em qualquer idade, se aceitam com seus anos e sua sabedoria a mais, respeitam o esplendor da juventude e beleza das filhas e as encorajam a lutar por causas mais nobres. “Elas compreendem que amores são superáveis e que as disputas nesses termos são prejudiciais e desnecessárias, deixam marcas indeléveis na história de ambas. Não arriscam a confiança e os laços maternos por paixões carnais, quase sempre transitórias”, declara.
Ex. rivalidade filha 13 anos, vai morar com tia por causa do namorado 16 anos, motivo: o namoro avançado, falta de respeito com a mae e padrasto, contas telefonicas com valores astronomicos, falta de dialogo? sei lá! só sei que parece que morri por dentro, meu desejo era que ela tivesse estrutura para se formar (faculdade,trabalho,familia), estou muito triste! parece que morreu algo dentro de mim. dói demais!!!